Neuralink: como um dispositivo pode conectar o cérebro humano às máquinas.

Postado em 22/01/2021 por Gleydson Fernandes

Tecnologia

Se você pudesse conversar com outras pessoas sem ao menos mover os lábios, ouvir músicas sem utilizar caixas de som ou fones de ouvido e controlar sensações de toque e dor com um simples ajuste no celular, hoje você certamente seria um bom personagem para um mangá.

Entretanto, do mesmo modo que celulares, computadores e máquinas de lavar um dia foram um sonho distante, tudo isso pode se tornar realidade em alguns anos graças a um dos empreendimentos do Elon Musk.

O Brain Machine Interface (BMI), ou Inteface Homem-Máquina, é um dispositivo desenvolvido pela Neuralink que, como o próprio nome sugere, promete conectar o cérebro humano aos dispositivos tecnológicos existentes.

Para isso, o BMI conta (atualmente, pois ainda está em desenvolvimento) com 1024 canais, inseridos no cérebro através de uma cirurgia totalmente realizada por um robô. No primeiro projeto apresentado, apenas os cabos milimétricos e flexíveis dos canais eram inseridos cirurgicamente, o dispositivo situando-se externamente. Entretanto, em uma atualização realizada no ano de 2020, a empresa apresentou um novo modelo, no qual o próprio dispositivo, de dimensões equivalentes às de uma moeda, é inserido no crânio e coberto pela pele.

Para recarregar o BMI não é necessário extrair absolutamente nada, uma vez que o carregamento é sem fio, assim como a conexão com o aplicativo da neuralink no celular – e a bateria dura um dia inteiro.

Já tendo sido testado in vivo – em ratos na primeira versão e em porcos, na segunda versão -, o aparelho aparenta ser bastante seguro, o que é um ponto fundamental. Apesar de inicialmente o objetivo do BMI ser tratar doenças até então sem tratamento efetivo, é também um objetivo bastante claro da empresa que o dispositivo seja tão seguro e a cirurgia tão precisa que qualquer pessoa possa optar por utilizá-lo, por qualquer motivo que seja.

Implante feito na primeira versão do BMI.
Implante feito na segunda versão do BMI (imperceptível visualmente).

Com isso, a Neuralink espera obter controle sobre o córtex visual (o que poderia vir a curar casos de cegueira), o córtex auditivo (que poderia colocar um dispositivo de som diretamente no nosso cérebro), o córtex sensorial (podendo controlar sensações) e o córtex motor (revertendo casos de paralisia), além de aplicações como jogar e ouvir música. Todos os casos, obviamente, são ainda hipóteses e consideram o melhor cenário possível: o pleno sucesso do BMI e da Neuralink.

Assim, nos resta torcer para que tudo ocorra bem para a empresa e, caso tenha a qualificação necessária, inscreva-se em seus programas de recrutamento – que aparentemente estão sempre abertos e em busca de grandes talentos.

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